Crescendo na Palavra - Curso EaD

Cantemos a glória de Deus, mas somente em Jesus

Pr. Luiz César Nunes de Araújo - Reitor

    Aqui na Capela do SETECEB, em um de nossos cultos, cantamos duas músicas que me chamaram a atenção. Vejam as letras:

Quão formoso
Quão Formoso És, Rei do universo / Tua Glória enche a terra e os céus / Tua Glória enche a terra, / Tua glória enche os céus / Tua glória enche minha vida Senhor / Maravilhoso é estar em Tua presença / Maravilhoso é poder Te adorar / Maravilhoso é tocar nas Tuas vestes / Maravilhoso é Te contemplar Senhor.

Há Momentos
Há momentos que, na vida, pensamos em olhar atrás, / É preciso pedir ajuda para poder continuar / E clamamos o nome de Jesus (2x)
E clamamos o nome, o nome de Jesus, / Ele nos ajuda a carregar a cruz.

     Enquanto catávamos a primeira música eu meditava no que significa cantar sobre a Glória de Deus. Que valor tem uma pessoa chegar diante de Deus e dizer: "Tua glória enche a terra, o céu e a minha vida"? Que experiência espiritual existe em ter a glória de Deus enchendo a nossa vida?  Então a resposta veio quando

começamos a cantar a segunda música que aponta para o Senhor Jesus como o Deus que nos auxilia, que ouve o nosso clamor e nos ajuda a carregara cruz.
     Aí está a resposta: Enquanto no Antigo Testamento o povo de Deus via a glória de Deus, simbolizada na maioria das vezes pela fumaça que enchia o Tabernáculo e o Templo, agora essa glória é o próprio Cristo. Assim podemos entender as palavras do Evangelho de João que diz: Pois vimos a sua glória, glória como do unigênito do Pai (João 1.14b). A glória de Deus, tão grandiosa na antiga aliança, agora está personificada na pessoa do seu Filho. Conforme o autor aos Hebreus ao dizer que Jesus é o resplendor da sua glória, a expressão exata do seu ser (Hb. 1.3). Um texto que muito pode nos auxiliar nesta compreensão é o de Êxodo 33.117-23. ‘Ali Deus, em resposta à oração de Moisés que queria ver a sua glória, responde:

“Farei passar a minha bondade diante de ti e te proclamarei o nome do Senhor; terei misericórdia de quem eu tiver misericórdia e me compadecerei de quem eu me compadecer” (v. 19).

     Moisés quer ver a glória; Deus responde que ele verá a sua bondade. A glória de Deus na velha aliança é a bondade de Deus, a sua misericórdia e sua compaixão, estampadas no rosto do Senhor Jesus.
     E quais são as aplicações práticas desta revelação?

1-    Não tem sentido qualquer música ou louvor a Deus, apontando para a sua glória, sem que seja apresentado o Senhor Jesus como a revelação desta glória

     Um judeu pode cantar a glória de Deus apontando para o Antigo Testamento. Um salvo não anula o Antigo Testamento, mas aponta para o Evangelho e diz: Esta glória é Jesus. O Deus glorioso do Antigo Testamento se fez gente, andou entre nós, foi cheio de graça e bondade e o seu nome é Jesus. Sem esta correlação e entendimento podemos passar a noite inteira cantando a glória de Deus que não seríamos tomados como verdadeiros adoradores. Os verdadeiros adoram ao Pai na pessoa do Filho e com o auxílio do Espírito Santo, cujo maior ministério é glorificar a segunda pessoa da Trindade (João 16.14).

2-    Podemos cantar o poder de Deus, revelado nas páginas do Antigo Testamento, mas não podemos deixar de cantar a sua bondade revelada no Novo, na pessoa de Jesus

     Não cantamos somente o seu poder, cantamos o seu amor. Dizer para Deus em adoração que Ele é grande, poderoso, glorioso, majestoso, aponta apenas para o que Ele é. Mas quando louvamos pela sua bondade, pelo seu amor apaixonado ao enviar o Seu único Filho, pelo sacrifício de Cristo na cruz, atingimos o âmago de toda a Bíblia e apontamos para o que Ele fez de mais grandioso.
     O centro de todo o universo é Jesus e a sua morte vicária e esta deve ser a nossa mais sublime canção. Não há pecado algum em dizer que a glória de Deus enche a terra, o céu e a nossa vida; mas isto não pode se comparar à declaração de que esta glória nos ajuda a levar a nossa cruz pessoal, e ainda mais, que esta glória está ilustrada na vida e obra de Jesus, cujo nome nós clamamos. Podemos cantar o seu poder, mas é mais digno de pecadores resgatados que somos, cantar o seu amor, a sua bondade e a sua misericórdia que nos resgatou das trevas para a sua maravilhosa luz (1 Pe. 2.9).

3-    A música que prevalecerá na eternidade aponta não somente para o poder e glória de Deus, mas também, e especialmente, para o seu amor

    Em Apocalipse nos é permitido ver um pouco do Céu, e neste pequeno vislumbre vemos o seguinte:
Tu és digno, senhor e Deus nosso, de receber a glória, a honra e o poder, porque todas as coisas tu criaste, sim, por causa da tua vontade vieram a existir e foram criadas (4.11).
    Digno és de tomar o livro e de abrir-lhe os selos, porque foste morto e com o teu sangue compraste para Deus os que procedem de toda tribo, língua, povo e nação (5.9).
    Aqui temos a junção do Velho e do Novo Testamento. O primeiro texto aponta para a adoração pelo que Deus fez na criação; o segundo para a obra redentora do Filho. A primeira é incompleta sem a segunda. A glória de Deus revelada na criação se apresentou aos homens em figura humana na pessoa do seu Filho e isto deve ser cantado para sempre no Céu. Não haverá um só momento em que o Cordeiro de Deus que tira o pecado do mundo, não deva ser adorado. Se no Céu será assim então devemos cumprir o que Jesus nos ensinou: Seja feita a Tua vontade tanto na terra como no Céu (Mt 6.10).
    Cantando aquelas duas músicas em nosso culto; me senti tão feliz. O Rei do universo, cuja glória enche a terra e o Céu, também enche a minha vida. E a enche de forma tão viva, na pessoa de seu Filho em mim. O Rei do universo, que segundo Salomão não pode ser contido nem em todo o Céu (2 Cr 6.18), pode se sentir confortável no coração de um pobre pecador. Só me resta adorar.  Cantar a primeira música sem a segunda seria me comportar como um judeu.  Cantando as duas me identifico como um cristão, e cristão é o que eu sou. Cantemos sempre o seu poder, a sua glória e majestade, mas que o Espírito Santo abra os nossos olhos e corações para compreender, e cantar também, que esta glória veio até nós, quando não tínhamos esperança, nos alcançou em nossa morte espiritual, nos deu vida juntamente com seu Filho e nos fez assentar em lugares celestiais.