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  • Juliana da Hora

COMO SINO QUE RESSOA

“Ousado aventureiro, decida de uma vez: Faça o sino vibrar e aguarde o perigo, ou acabe louco de tanto pensar: “Se eu tivesse tocado, o que teria acontecido?” — As Crônicas de Nárnia - O Sobrinho do Mago (C.S. Lewis)

Essa semana vi a frase acima destacada em uma arte, como uma daquelas frases de auto ajuda que vão mudar sua vida. Fiquei pensando que se algum coach da atualidade visse a imagem, provavelmente adoraria e adotaria a ideia, fazendo algum tipo de desafio com seus alunos onde aquele que ousasse e tocasse o sino seria recompensado! Afinal, devemos ser curiosos, ousar e correr alguns riscos, caso contrário nossa vida não prospera e não nos tornamos agentes de mudança em nossa sociedade.


O problema é que quem destaca essa frase provavelmente não leu o livro todo. A frase se dá quando os amigos Digory e Polly, em um mundo desconhecido e decadente, encontram um sino que continha uma maldição. Os dizeres na placa a frente do sino cativam a curiosidade de Digory que, contra todos os argumentos de Polly (e sendo inclusive grosseiro e torcendo o braço dela), pega o martelinho e faz o sino ressoar. O resultado? A maldição que estava mantendo uma terrível feiticeira adormecida, que inclusive era a responsável pela destruição daquele mundo, é desfeita, despertando-a. O “grande” feito de Digory coloca a vida dele e da amiga em perigo, eventualmente a Terra também (pois a feiticeira os obriga a levarem-na até lá) e, por fim, gera anos e anos de escravidão e inverno às criaturas de Nárnia (onde a feiticeira vai parar depois dali – a famosa feiticeira branca).


O incentivo à curiosidade e ao ousar correr certos riscos não é necessariamente um conselho ruim, mas a verdade é que nem sempre os conselhos e convicções que ouvimos nos levarão a um caminho de vida. Se seguirmos um bom conselho em detrimento dos que estão em nossa volta, mesmo um bom conselho pode se tornar em um caminho de morte. Em minha experiência como conselheira cristã, isso é uma das coisas que mais acontece em nossas igrejas. Pessoas que seguem bons conselhos – conselhos bíblicos inclusive, mas que deixam um rastro de dor e morte por conta disso, pois seguem as normas sem fazer o bem aqueles que estão a sua volta. Falam versículos sem demonstrar amor pelos que estão ouvindo, exercem seus dons no Reino mas não perdoam seu irmão, pregam o evangelho mas não querem andar a segunda milha com aqueles que dão muito trabalho.


1 Coríntios 13 nos mostra como esse mal pode ser evitado. O texto nos ensina que mesmo se falarmos todas as línguas, tivermos o dom de profecia, sermos conhecedores de todos os mistérios e ciência, tenhamos toda a fé do mundo e distribuamos tudo o que temos aos pobres, se não tivermos amor, nada seremos. Curiosamente, a falta de amor no versículo 1 é comparada a um sino que ressoa. Podemos até estar proclamando a Palavra de Deus, mas nosso impacto é apenas o de um sino ressoando, pois não estamos amando os que estão a nossa volta. E Deus nos livre de fazermos como Digory, ressoando sinos que trazem tanta morte.

Que aprendamos a amar como Jesus amou. Que perdoemos como Ele nos perdoou. Que nossas Palavras sejam palavras de vida, e não de morte. “Agora, pois, permanecem a fé, a esperança e o amor, estes três, mas o maior destes é o amor.” (I Co. 13:13).

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